Así seguimos andando


Houve – e é possível que ainda hoje possam ser encontrados exemplares dessa espécie ameaçada de extinção – jornalistas capazes de levar à estratosfera a venda jornais estagnados em termos de tiragem e debeis quanto à viabilidade econômica. Não foram poucos os impressos que, tocados pela caneta de condão de um Samuel Wainer, dum Millôr Fernandes ou dum Tarso de Castro (compatriota de dar orgulho), puderam escapar do purgatório tedioso em que costumam estar os jornalões e não-raro os nanicos.

Mas o que estas palavras vieram dizer é que um bom texto é também um sopro de vida, não só no jornal em que é publicado como também, e é o que é realmente importa, no leitor que o recebe com o ato simples e arcaico que é a leitura. Como bem sabes, o Tabaré é de grátis . Nosso êxito ou fracasso editorial, portanto, não podem ser medidos pelo número de exemplares tirados a cada edição. A resposta que recebemos vem diretamente da abordagem do leitor e, com sorte, da leitora. É sempre uma honra.

Me lembro como se fosse ontem de quando o já citado Samuel Wainer, que viria a ser um dos maiores donos de jornal da história do Brasil, entrevistou com exclusividade um Getúlio Vargas recolhido em plena solidão pampeana, na sua Estância do Itu, no isolamento fronteiriço de São Borja. Wainer consquistara a simpatia do ex-ditador pela fidelidade com que transmitia as falas de Vargas. Por esse mesmo motivo conseguira declarações bombásticas do Velho. O jornalista trabalhava para os Diários Associados, do empresário Chatô, autodeclarado Rei do Brasil. A publicação O Jornal, pertencente à Diários, vendia habitualmente 9 000 exemplares por dia. Após a matéria de Wainer, foram 180 000 os jornais vendidos.

De certa forma, o que o Tabaré quer é o mesma cousa que conseguiu O Jornal. Só que pra nós o que mais importa é a carícia leitora, o apoio, que se manifesta de várias formas, ao que a gente vem fazendo e quer fazer. Apesar de todo o trabalho, fazer este jornal existir e crescer é uma festa linda. E é também por isso que nossa segunda edição ta aí, abrindo cancha pras próximas. Fazer este jornal é uma forma de resistir ao silêncio, um jeito de evitar que nos derrube a morte ou coisa parecida.