Vagamundeando por Barcelona

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O hotel onde trabalho parece outro sem a Avenida Diagonal a pleno vapor, sem a recente celebração do último título conseguido pelo admirado Barça, sem os curiosos turistas perguntando como chegar à Rambla. Claro, são quatro da madrugada e todo isto se converterá em breve em mera lembrança.

O turno da noite que cumpro na recepção não fará que eu deixe de me encontrar com ditos visitantes. Penso ir à praia de tarde e tomar um café pelo Centro, e isso supõe um reencontro com os bem-vindos… mas sem explicações nem surpresas.
Turistas e cidadãos convivem amavelmente, e de forma relevante, faz já mais de um par de décadas.
Em processo está o tema da imigração e a apreciada multiculturalidade da qual tanto nos falam, mas que tanto nos desconcerta ao não poder dormir pelas noites.
Pouco a pouco vamos nos acostumando ao reggeaton.

Somos então, um povo paciente e leal em una cidade de importante interesse internacional, turístico-cultural, que parece às vezes querer esconder suas ânsias de uma mudança iminente.
Posso citar, por exemplo, como parece mentira, mesmo estando em nossa acomodada Europa, que os jovens saiam de casa aos trinta anos. Assim como este próprio país catalão se vê submetido ainda e padece por se independizar da “Madre Patria”.

Mas bem, tirando as dores de cabeça, Barcelona continua tendo pinta de interior em cada um dos seus bairros; entre boêmios, praias, paellas e plátanos.
A cidade onde vivo já é considerada como uma das grandes do mundo, mas para mim não deixa de ser simplemente minha casa.
Assim, quando saio do hotel às sete da manhã, o sol sai para nativos, imigrantes e turistas.

Certamente ao longo deste novo dia, nossa cabeça vai trazer a todos nós, em algum instante, a reflexão de Peret e sua rumba das Olimpiadas de 92, “Gitana hechicera“.

É que “Barcelona té molt poder!

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por Gemma Domínguez, Barcelona

tradução e foto: Felipe Martini 
o texto original está publicado na edição 2 do Tabaré