Vasto vagamundo, agora pelo Chaco…


Quando cheguei pela primeira vez a Filadelfia amanhecia, em Asunción embarquei às dez da noite no ônibus que me levaria à cidade para trabalhar. Grande foi a minha surpresa quando vi que o lugar parecia uma cidade alemã: suas casas eram idênticas às de uma cidade alemã, a terra era totalmente branca, diferente daquela do meu povoado, onde a terra é colorada. Enquanto esperava o senhor que me levaria à sua estância, olhava os arredores e não podia acreditar no que meus olhos viam, eu vi carros dirigidos por índios, coisa que na minha cidade seria muito estranho. Aos poucos fui me dando conta de que aqui se capacitava e se apoiava aos indígenas em diferentes tipos de trabalho para e com o menonitas.

Agora passaram doze anos desde que cheguei a esta cidadezita, me juntei à minha companheira Dionisia e temos uma linda guria. Nosso povoado, Filadelfia, é uma comunidade altamente multicultural, aqui convivem muitos indígenas, paraguayos, brasileiros, argentinos e menonitas; colonos que chegaram da Alemanha e que desenvolveram muito nossa cidade. Devo terminar meu relato para me preparar para mais uma jornada de trabalho duro, tenho que fazer muitos sorvetes para de alguma forma refrescar os habitantes de Filadelfia nesta onda de calor que quase sempre nos atinge por aqui.

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por Juan Martín Ortega, Filadelfia, Paraguay.
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tradução a partir do castelhano: Felipe Martini 
o texto original, em guarani, está publicado na edição 3 do Tabaré.