¿Por que cantamos?

O cheiro de papel novo e tinta fresca mais uma vez invadiu as narinas tabareñas. De novo a alegria é grande, enorme. Nesta terceira edição que recém dá seu primeiro grito há, como sempre, a esperança de que a recepção do leitor seja entusiasmada, com o carinho de quem recebe algum membro recém nascido da família. Este jornal sempre me lembrou aquela figura maçonica em que um operário, munido de seu martelo, constroi o seu próprio corpo. E assim tem sido, desde que ousamos criar uma publicação do nada, agarrando o caos nas mãos e moldando-o até formar o que queríamos e sobretudo o que achávamos que andava faltando pelaí. E motivos não faltam para justificar esta deliciosa e trabalhosa empreitada. O mais simples deles talvez possa ser explicado com uma analogia modesta a uma famosa citação do tal Ernesto Guevara, um homem que foi morto por dizer o que pensava e principalmente por fazer o que dizia: “É dever de todo revolucionário fazer a revolução”, disse ele. E nós dizemos que é dever de todo jornalista fazer jornalismo. Jor-na-lis-mo. Não essa publicidade sistemática vestida imprensa que se vê por aí. E por isso seguimos.

foto: gabriel jacobsen/tabaré