No museu – O caso do banheiro

Por Matheus Chaparini

ilustras: P.H. Lange

Eu precisava mijar. Depois de algumas taças de champanhota essa era minha única
certeza. Mas eu precisava mijar mesmo. Eu tava apertadasso! Constatado isso, parti em
busca dum banheiro. No caminho encontrei a morena tetuda que eu tava afinzasso lá na
cena do átrio. Perdi uma baita oportunidade de retomar o papinho furado. Ela comentou
alguma coisa sobre as exposições. Respondi um apressado e desatencioso “aham,
massa!” e segui meu rumo. Tava foda.

No total foram três banheiros. Um por andar. Cheguei no primeiro deles como se
chegasse a um oásis. Empurrei a porta. Puxei. Bati. Forcei. Nada. Caralho! Fui atrás
de outro e a patética cena se repetiu. O terceiro foi pura teimosia e desespero. Cheguei
desconfiado. Olhei ao redor. Não parecia ter ninguém me vendo. Empurrei. Puxei.
Taqueopariu! Não é possível que os caras façam um evento com tanta bebida e sem
nenhum banheiro aberto!

Quando eu já cogitava derrubar a porra da porta ou mijar ali mesmo, uma voz divina
surgiu do além.

-É pro lado.

Me virei e vi… Um negro! Daí me liguei de que era o primeiro negro que eu via lá
dentro. Tu percebe que um evento é muito elitizado quando tu leva uma hora pra ver um
negro. E quando ele só ta de terno porque é o segurança do pico.

Entrei. Urinei freneticamente. Saí.

Agradeci como se o cara me tivesse salvado a vida ou coisa assim. Não é possível que
nem a porta do banheiro daquele lugar eu soubesse abrir! Mas também, onde já se viu
porta de banheiro abrindo pro lado…

Quer saber como segue? A matéria do Iberê está disponível aqui, ó:

Tabaré | Edição #14 na íntegra.