Bicicleta: um instrumento feminista

Por Natascha Castro

Ciclista em momentos antes da competição em 1900/ Flickr CC

No final do século XIX a bicicleta era o motivo de uma discussão profunda: a emancipação feminina. As tais “magrelas” se transformaram em um dos principais aliados das mulheres na luta por seus direitos.

O avanço científico e tecnológico pós-Revolução Industrial não modificou apenas as relações de trabalho, mas principalmente as relações sociais. Entre tantos artefatos inovadores, a bicicleta pode ser considerada como um dos mais radicais (era uma invenção moderna, mesmo que inspirada em antigas experimentações). Tudo porque ela possui diferentes funções desde sua origem: serve para o trabalho, para o lazer, para o esporte e atualmente sabemos que tem servido como alternativa na resolução de problemas ambientais.

As transformações resultantes da bicicleta entusiasmaram as sociedades da época. Ter uma magrela era fator de destaque social. Também era simbólico o costume de pedalar, já que homens e mulheres poderiam andar sobre duas rodas para qualquer lugar. E o melhor: sozinhos.

Isso contribuiu para a maior participação das mulheres nos espaços públicos. O rechaço foi grande e a resposta ainda maior. Movimentos feministas davam passos importantes na época em termos de organização e desenvolvimento e contavam agora com um instrumento inovador e em voga para ajudá-los.

Sabemos que o espartilho, que prendia e incomodava, foi abandonado pelas ciclistas da época e em seguida, por todas as mulheres. Dessa maneira, a bicicleta contribuiu para uma mudança de postura com a transformação da vestimenta feminina. As roupas eram mais curtas e justas para facilitar a pedalada e já se via mulheres usando calças (como a Bloomer, lançada em 1850). Vestimentas essas que foram proibidas e fortemente criticadas.

Como se pode imaginar, as condenações vieram de todos os lados, moralistas pensavam que era o fim da picada e médicos especializados em opressão feminina condenavam a prática do ciclismo pela possibilidade de causar abortos, esterilidade e prazer sexual.  Assim, a bicicleta se tornou símbolo de provocação, de contestação, uma arma pacifista. Na Europa e nos Estados Unidos, mulheres jovens ou maduras, tinham conquistado o direito de se locomover. Muitas fugiam de seus lares ou viajavam por sentir esse lindo sabor de liberdade ao pedalar.

FONTES:
http://www.anamappe.com.br/blog/2010/08/18/a-bicicleta-simbolo-da-emancipacao-feminina/
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2009000100007&script=sci_arttext#nt01
Los Hijos de los Días – Eduardo Galeano