Garçom, me vê uma MÚSICA ALTA, por favor

Por Morena 

Pensa em como deve ser a sensação de ser escolhido para abrir o show de um dos teus ídolos…
Não deu muito certo né? Mas não te preocupa, talvez nem os caras da Lautmusik tenham assimilado ainda.
Sexta passada eu fui assistir um show deles em um daqueles lugares sem estrutura que são comuns em Porto Alegre e, infelizmente, são os espaços que restam para shows de bandas independentes. Sempre foi assim, mas quando tu queres realmente ouvir aquele som –de preferência com qualidade- aí o ambiente de fato atrapalha. A realidade deveria ser outra e, além dos já iniciados, também as bandas de garagem merecem uma boa equalização, mas ok, eu sou chata pra essas coisas de qualidade de som (e afinal, não tem que ser?).

De qualquer forma, nem o som mecânico que não foi desligado mesmo depois da Lautmusik começar e terminar de tocar a primeira música (!!!) estragou o momento: apesar de eu estar em um lugar apertado, na ponta dos pés para ver, e me esticando em direção à caixa para ouvir a atração da noite, a curiosidade era grande (e bem maior que esses motivos estruturais) para conhecer a banda que irá abrir o show do The Cure no próximo dia 6 de abril no Anhembi Arena, em SP. Banda essa que foi escolhida pelo próprio Robert Smith. Demais, né?
Ouvir a Lautmusik ao vivo é saber porque ela foi escolhida. A sonoridade é completa, moderna, todos os músicos envolvidos sabem muito bem o que fazem e o resultado é ótimo de se ouvir, mesmo em más condições, o que é ainda mais louvável. Li em alguma biografia da banda que as influências vêm do shoegaze e do pós-punk, mas na sexta-feira o que me impressionou foi principalmente a autenticidade das composições (algumas em inglês, outras em alemão).
Sempre questionei os relatos escritos sobre música porque eles nunca serão nem próximos do fenômeno sonoro em si. Por isso, não tenho a pretensão de descrever algo que só pode ser ouvido. Assim, como de fato é o som dos caras, todos podem tirar suas conclusões ouvindo as músicas próprias, muito bem produzidas, postadas no myspace, mas mesmo depois de ouvi-los em estúdio, recomendo fortemente que vejam a Laut ao vivo.

À exceção de The Love Cats, eu não gosto de The Cure. Pasmem! Mas não deixo de reconhecer a qualidade e o impacto musical que o grupo causou desde a década de 80 até hoje. Mérito total próprio dos integrantes da Lautmusik que terão a grandessíssima oportunidade de abrir para essa banda histórica. Merda para eles!

Um pequeno adendo:
Naquela noite a Laut foi a última a tocar, precedida de Scafandro, também outra surpresa. O palco foi praticamente coberto por pedais, de todas as cores e de muitos tipos. Uma violinista posicionada bem a frente do projetor chamou minha atenção não só para a silhueta formada pela sombra que parecia fazer parte do cenário, como para ouvir o som experimental/drone music que foi especialmente desfavorecido pela má (e agora, famigerada) equalização, ambiente e, muito provavelmente, pelo despreparo do público ao ouvir composições contemporâneas e experimentais de até 15min ao vivo. Pessoalmente, a Scafandro conseguiu me deixar curiosíssima e fui atrás do som de estúdio deles. Ah, é como colocar um escafandro mesmo, e ficar imersa em água, bastante água… Recomendo fortemente que o play seja dado em fones e com volume generoso.

Para ouvir e sentir:
http://www.myspace.com/lautmusik
https://soundcloud.com/scafandro