COMPROMETIDO

Por Chico Guazzelli 

Alexandre Lops  - Divulgação Internacional

Alexandre Lops – Divulgação Internacional

Muitos ídolos existem na história do futebol mundial. O meu maior ídolo é o Maradona, não foi o melhor jogador, mas foi quem mais me emocionou e contagiou. Pelé é o maior atleta física e tecnicamente, inegável. Foi um poeta. Garrincha, Romário, Ronaldo e Rivaldo, também contaram a história do futebol.
Mas nos últimos 25 anos um coadjuvante é protagonista no futebol brasileiro. Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga. O homem das eras, no futebol Brasileiro.
Nascido em Ijuí, formado pelo Internacional nos anos 80, já jogava pelas seleções de base brasileira. Brilhou em equipes do Brasil, na Itália e na Alemanha. Mas sempre será lembrado pela faixa de capitão do tetra.
Antes da glória, a Era Dunga foi criada e destruída na Copa de 90, quando Maradona de quatro assistiu a Caniggia marcar o gol da Argentina eliminando a seleção de Lazaroni, Mauro Galvão e Careca. Sentenciado como a cara da derrota, Dunga continuou comprometido e quatro anos depois, desacreditado, levantou a taça do mundo.
Virou ícone, da garra e do comprometimento com a seleção. Passou incólume do fiasco de 98. Aposentou-se da seleção. No retorno ao Inter, clube que o revelou, amargou a reserva para no último jogo marcar o gol que evitou a queda para segunda Divisão.
Anos se passaram de idolatria consolidada até o fiasco da seleção de 2006, marcada pela bagunça e pelas estrelas não comprometidas com o Brasil, fazer com que Dunga fosse novamente chamado. Mais uma era. Dunga treinou a seleção como a sua cara: sem confortos para jogadores ou para a Rede Globo. Foi eliminado, junto com seus jogadores comprometidos e fiéis, de virada para a Holanda depois de um primeiro tempo de domínio brasileiro.
Caiu o mundo de Dunga, virou vilão. Os xingamentos, os adjetivos e os rótulos voltaram. Dunga se compromete com o que é correto para ele. Foi assim que superou as pedradas e as pauladas. Dizem que quem bate esquece e quem apanha nunca esquece, pois bem, Dunga age com o pé atrás com a imprensa e com as badalações. Foi o acerto da diretoria do Inter, vem montando um grupo, talvez sem tanta qualidade como tinha o Inter do ano passado. Mas D’alessandro reencontrou o futebol, como Forlán e aos poucos Damião.
O colorado sem reforços talvez fique longe do título nacional, mas uma coisa é certa sobre este ano colorado: não faltará organização e comprometimento dos jogadores, como tanto faltou nos anos anteriores.
Quanto aos resmungos de Dunga, sempre serão bem vindos ao meu ouvido. Num país que aos poucos tenta lembrar quem o torturou tanto, ao menos uma boa memória é louvável.