O mínimo do minimalismo

Por Morena

Fui ao cinema esses dias, e antes do filme começar passou uma vinheta de uma web rádio que entrevistava o Philip Glass. Aí pensei: “pô! O Philip Glass! Não ouço ha muito tempo e não conheço quase nada!”. Seguindo a minha busca impossível de querer conhecer tudo o que se produz de música (ha-ha-ha), cheguei no trabalho e coloquei tudo o que tinha dele para ouvir. Fiquei boa parte da tarde ouvindo a playlist que tocou não sei quantas vezes. Lá pelas tantas, meu chefe perguntou: “o que é isso? Philip Glass? Tu tem que ouvir é Steve Reich!!”. Quando o resultado de busca pelas palavras-chave ‘Steve’ e ‘Reich’ no meu acervo mental musical foi zero que me dei conta que era necessário então conhecer pelo menos o mínimo do minimalismo.

Coincidentemente, na semana anterior, o professor de história da música da faculdade tinha começado a falar sobre música minimalista, infelizmente muito menos do que eu gostaria, pois tivemos pouco tempo e a aula acabou. Só podia ser um sinal, e eu tinha que ouvir toda essa imensidade mínima.

O termo minimalista surgiu nos anos 60 nos Estados Unidos e se refere a qualquer tipo de expressão artística que tenha sido reduzida ao essencial, obras que são ricas em elementos de alto conteúdo intelectual, porém apresentam pouco conteúdo formal. O minimalismo musical se caracteriza por apresentar um pulso constante e repetitivo, através do qual pequenas frases ou motivos musicais são, aos poucos, adicionados, modificados ou retirados. As obras são extensas e passam uma impressão cíclica e de movimento.

Reforçando a ideia com o clichê “menos é mais”, é impressionante como a suposta limitação de conteúdo formal dessas obras é capaz de formar paisagens completas a quem está disposto a observar o passeio desses elementos que formam as obras minimalistas. Dos compositores americanos, alguns dos indispensáveis são Philip Glass, Steve Reich e Terry Riley; dos europeus, Arvo Pärt e Michael Nyman.

Nessa minha pesquisa pela definição do minimalismo, li que uma das obras que podem ter incentivado o início desse movimento foi a 4’33’’, ou “Four minutes, thirty-three seconds” (1947-1948) de John Cage. A experimentação do som e do silêncio em uma obra de três atos completamente polêmicos pode ter sido o início do estreitamento desse tipo de música à arte experimental, uma manifestação musical que provoca e incomoda. Aliás, essa é uma das características da minimalista que mais aprecio: a forma tão carregada de arte, que quase dá pra pendurar na parede de tão bonita.