Editorial #22

Ah, caríssimos leitores! Viva ao jornal Tabaré! Nesse mês, o periódico comemora dois anos de existência. Aliás, a vigésima segunda edição é especial, pois, segundo dados da nossa última pesquisa, atingimos um recorde de audiência: 27,5 leitores (o vigésimo oitavo perdeu um olho num acidente trágico). Sabemos que são números espantosos, mas, não importa o quanto nos esforcemos, nosso público super-mega-ultra-seleto insiste em folhear as páginas do Tabaré. Apesar de tudo, continuamos trabalhando para honrar a frase de Honoré de Balzac: “Se a imprensa não existisse, seria necessário não inventá-la.” Estamos desinventando a imprensa há 22 edições.

Mas, falando em folhear o jornal, depois que alguém lê uma das nossas matérias revolucionárias, sempre fica com uma dúvida: afinal, por que esses caras fundaram o Tabaré? Ora, a resposta é óbvia: sonhávamos em ficar ricos, degustar os melhores champanhes, almoçar sanduíches de caviar, conquistar o sonho do iate próprio, tirar férias no Caribe, bronzear nossos corpos na praia de Ibiza… E, modéstia à parte, nesses dois anos, o Tabaré movimentou uma fortuna: perdemos cifras exorbitantes ao longo dessas 22 edições. Contudo, não se trata de um fracasso, mas, sim, de um sucesso lento – beeeeeeem lento.

Por outro lado, apesar do déficit financeiro, o jornal Tabaré goza de grande status perante a sociedade – desde os moradores de rua, passando pelos trabalhadores braçais, até as madames da high society. Quando caminhamos pela rua, somos interpelados por mendigos entusiasmados: “Ba, gosto muito do trabalho de voceis. Sempre passava frio de noite. Mas, depois que conheci o Tabaré, nunca mais passei frio. O Tabaré esquenta nóis a noite toda.” Quando caminhamos pelos arredores do Mercado Público, somos elogiados por feirantes, açougueiros e peixeiros emocionadíssimos: “Queria parabenizar voceis pela qualidade do jornal! É o melhor jornal pra enrolar peixe, carne, fruta… Antigamente a gente enrolava no Diário Gaúcho ou n’ O Sul, mas o pessoal reclamava que eram uns jornal muito fraco. O papel rasgava tudo. Depois que começamo a usar o jornal de voceis, os cliente nunca mais reclamaram.” E, por fim, quando caminhamos pelos altos do bairro Moinhos de Ventos, somos agraciados pelos depoimentos das dondocas satisfeitas: “Hello people! Queria dizer que o jornal Tabaré is the best from Porto Alegre. Agora minha cadelinha só quer fazer xixi  no Tabaré. Até cancelei as assinaturas da Zero Hora e do Correio do Povo.” É assim que, aos poucos, estamos cooptando o público-leitor da grande imprensa.

Contudo, o jornal Tabaré não recebe apenas gracejos. Também somos criticados. E, sem dúvidas, a crítica mais comum se refere ao número de páginas do periódico: “Vocês têm que aumentar o número de páginas do jornal!” Realmente é uma reivindicação plausível. Afinal de contas, a pobreza tem se consolidado, os feirantes tem vendido satisfatoriamente, e os animais de estimação tem se reproduzido. Quem sabe, no futuro, não atendamos os inúmeros pedidos? De qualquer maneira, distintos leitores,  saudemos o Tabaré! O jornal mais usado de Porto Alegre!

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