Os Islandeses estranhos

Sem título

Dos poucos artistas que persistem no meu mp3 player há tempos (ao lado de Led Zeppelin) está Sigur Rós. A gente sempre tem aqueles artistas que são fixos ou que ficamos ouvindo mais, e os outros que ficam trocando, assim, de acordo com o clima, humor, etc. Pois é. Conheci a banda através do meu irmão mais velho, responsável por grande parte das músicas que eu ouvi entre 1999 e 2008, e minha primeira impressão foi: banda estranha. Islandeses estranhos.

Sigur Rós é daquele tipo que só dá pra explicar ouvindo! E talvez esteja há tanto tempo na minha playlist exatamente por ser tão diferente, mas eu vou tentar: o grupo islandês, formado por três cabeças malucas, lança composições etéreas e viajantes desde 1994 (ouié, quase vinte anos e mais moderninhos que muitos por aí!) combinando instrumentos como xilofone, metalofone, teclado, gaita, os clássicos baixo e bateria, e a famigerada guitarra tocada com um arco de violoncelo! O que me surpreende positivamente é que essas faixas, todas em islandês ou em Vonlenska (linguagem ininteligível usada em alguns vocais da banda, sem sintaxe, gramática ou significado definidos, cujo único propósito é transmitir música através dos elementos melódicos e rítmicos das palavras = GENIAL), tenham sido tão bem aceitas pelo mundo todo (vocês sabem islandês? E Vonlenska?). É, talvez tu ainda não tenha escutado, mas eu te garanto que esses caras são populares mundialmente em-língua-estrangeira-e-ininteligível. É impressionante como a sonoridade do trio comunica, mesmo sem entender uma única palavra da música. Os vocais do músico JónÞór “Jónsi” Birgisson (cuma?) dispensam compreensão de letra e nos apresentam a melodia usando a voz de uma forma única com aqueles falsetes.

Procurando encaixar esse som em alguma caixinha classificatória completamente dispensável e desnecessária da minha cabeça, busquei uma classificação de gênero musical. Eis que me apresentam o subgênero post-rock: rock + música eletrônica + jazz + rock progressivo + space rock (synths + guitarras experimentais). Soma tudo isso com Islândia = Sigur Rós. Entendeu a equação? Ok, tudo isso pode ser bobagem, é no que dá ficar tentando explicar banda estranha! Felizmente, descobri esses estranhos estranhamente malucos e maravilhosos. Isso aí, nada de ficar compondo só em inglês, amigo. O negócio é ser original, estrangeiro e estranho! Não sei vocês, mas eu curto estranho.

Segue a formação atual da banda!

JónÞór “Jónsi” Birgisson – vozguitarratecladosgaita e xilofone;
Georg “Goggi” Hólm – baixometalofone;
OrriPállDýrason – bateriateclados.

Von, a primeira música em Vonlenska: http://www.youtube.com/watch?v=BSV019gkQLI

Svefn-g-englar, uma das faixas mais populares, uma das minhas preferidas: http://www.youtube.com/watch?v=rtemrZ7-pj0

Takk…, o quarto álbum, na íntegra: http://www.youtube.com/watch?v=ojLgN7wqc5A

Por Morena Chagas