O futebol que cansa

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O futebol tem cansado.  Talvez ele sempre tenha cansado. Talvez a gente só romantize as épocas antigas, os grandes jogadores, as grandes histórias… E as coisas ruins sempre estiveram ali: os cartolas, as entrevistas repetitivas, as novelas dos centroavantes e as negociações. Talvez tudo estivesse encobertos pelas lupas nostálgicas.

Mas atualmente as coisas tem realmente me cansado por aqui. Barcos e Damião: a bola não entra, a cada jogo por motivos diferentes a pressão aumenta e os jogadores erram e erram. As cornetas seguem e seguem. Os reis do microfone espumam raiva e indignação aos jogadores, ao treinador e aos cartolas, mas só até o dia seguinte quando as fontes voltam e as relações se aproximam de novo, principalmente nas entrevistas exclusivas.

Os centroavantes e suas mazelas, me cansam. O ex-centroavante do Grêmio Lipatin já disse certa vez: o futebol tem nove posições e duas profissões: centroavante e goleiro, e não tem meio termo, ou pega tudo ou é artilheiro, ou é nada. De artilheiro em 2012 para não prestar em 2013, essa é a sina de Barcos, o pirata, que veio como ídolo no inicio do ano. Como Damião, que valia mais de 20 milhões de euros para ser chacota este ano.

Mas será que não passaram por isso Claudiomiro e Alcindo, históricos centroavantes da dupla grenal? Lembrar de Jardel é inevitável, de reserva desvalorizado para ídolo eterno do Grêmio e artilheiro da Europa. Será que os torcedores e comentaristas agiam da mesma forma? Sim.

Outra coisa que me cansa é a entrevista coletiva. Ora mostram os treinadores como os gênios embelezados ora como os burros crucificados. E essas coletivas deixam os treinadores acuados ou agressivos. Ultimamente Renato reage assim e fala e fala. E me cansa. ‘É assim que as pessoas inteligentes pensam’ respondeu sobre poupar o time esses tempos. Longe, muito longe de ser burro Renato não é Einsten nenhum para saber como pensam inteligentes. Aliás até que se prove o contrário cada inteligente pensa duma maneira diferente. Mas a arrogância insuportável de Renato choca-se com a impaciência e a instável imprensa esportiva. A derrota é o fim do mundo, ‘o absurdo dos absurdos o Grêmio que não ganha do Atlético’ o ‘Inter que não ganhou nada este ano’. ‘A vaga da Libertadores é pouco…’.

Mas o futebol também me descansa. Quando o Inter diminui ingressos e 13 mil pessoas vão no Centenário e vibram com uma vitória do seu time. Não valia nada. É a vibração genuína: a vitória do seu time no domingo. O futebol que descansa é o se discute na praça da Alfandega, nas portarias dos prédios ‘joga Zé Roberto’ ‘Eles põem o Máxi’, ‘Hoje o Grêmio perde do Atlético’, nos momentos de descanso. O futebol que descansa é simples: vitórias, derrotas e empates. Centroavante que fazem gols e perdem gols. Frangos e dribles. Com isso os torcedores se acostumam: as fases dos times vem e vão, os títulos vem e vão. Mas a torcida está sempre ali, com centroavantes ruins ou bons. Precisamos voltar ao futebol que descansa e vibrar e sofrer pelas vitorias e pelas derrotas, porque isso é a graça da coisa: o sofrimento e a alegria sempre vão intercalar, estamos, os torcedores, preparados.

Por menos coletivas e novelas.

Por Chico Guazzelli