Os estádios e os clubes

Beira Rio

O Grêmio veio primeiro. Lá na Baixada, Moinhos de Vento, o Estádio da Baixada. E Foi lá que o Grêmio virou profissional. E lá conquistou 21 torneios citadinos e 7 gaúchos. Aí veio o Inter, que não tinha estádio, teve uma arrecadação de dinheiro e em 1931 fizeram o majestoso Estádio dos Eucaliptos. Menino Deus. E veio o Rolo Compressor. Tesourinha e Carlitos. Larry e Bodinho. 13 títulos estaduais, o hexacampeonato e a hegemonia mudou de endereço.
Aí veio o Grêmio. Estádio Olímpico Monumental, em 1954. Azenha. Airton, Volmir, Alcindo, Joãozinho… Os doze em treze nos anos 1960. Aí veio o Inter. Arrecadação de tijolos e o Estádio Beira Rio, em 1969. Oito títulos seguidos e o tricampeonato brasileiro nos anos 1970.
Aí o Grêmio ‘fechou’ o Olímpico. Completou o anel superior e ganhou o Brasileiro, a Libertadores e o Mundial nos anos 1980.
Gangorra, gangorra.

Olímpico
Nos últimos anos, os 1990 do Grêmio e os 2000 do Inter, as grandes façanhas dos times não acompanham mais as construções e reformas dos estádios. Tavam ali o monumental e o gigante e os clubes se fizeram monumentais e gigantes em torno deles.
Aí veio o Grêmio, e fez a Arena, digo… aí veio a OAS e fez a Arena e vendeu pro Grêmio pelo Olímpico. Aí veio a Andrade Gutierrez e se associou com o Inter e reformou o Beira Rio.
Aí inauguraram a Arena, mas logo depois deu problema e o Grêmio ainda jogou no Olímpico mais um tempo. E todos dizem que durante 20 anos o Grêmio ainda vai pagar a OAS com as receitas e os ingressos ficaram cada vez mais caros.
Aí reinauguraram o Beira Rio, ah não, era teste FIFA, e de novo… Agora sim. Fizeram festão. Ingressos caríssimos, mas uma festa linda, tava lá o Falcão, Fernandão, Figueroa e o D’ale… Mas mesmo assim na final do Gauchão, jogo mesmo, não pode ser lá ainda o Ministério Público e a Brigada não dão condição. E o Clube do Povo aumentou os preços dos sócios e deve fazer o mesmo com os ingressos (quando tiver jogo) que nem na Arena. Mas o D’ale gritou na festa que o Estádio é da torcida.
Será mesmo?
Será que só eu vejo diferença entre as primeiras partes da história e as últimas? Será realmente natural que os ingressos estejam caros e que os novos estádios tenham que acompanhar essa realidade do progresso e as acomodações tenham que ser tão sublimes quanto inacessíveis?
E será que esses estádios pujantes vão estimular os times daqui para grandes conquistas e também para o crescimento das instituições como foram antigamente os estádios clássicos? Será que vão fortalecer a relação da torcida com o clube? Será que vão afundar os clubes em dívidas com poderosas empresas e sucatear as categorias de base? Ou cada vez mais vender os craques formados para se sustentar e sustentar os grandes elefantes?
Essa coluna acaba aqui com essas perguntas porque, com as respostas que eu tenho, prefiro renegá-las por enquanto. Renego por causa dessa mania horrível que é ser torcedor de futebol nessas épocas.

Por Chico Guazzelli