Dingo Bells: amizade e música

DIVULGAÇÃO

Dingo Bells

A festa do Jornal Tabaré – aquela que aproxima corações e desalinha quadris – se aproxima. Uma das atrações confirmadas para o baile de 24 de maio é a Dingo Bells, banda portoalegrense que iniciou, há poucas semanas, um processo de financiamento coletivo visando a produção do seu primeiro disco. Como parte desta parceria, o Tabaré conversou com os integrantes sobre o momento que vivem. 

A Dingo Bells se apresenta como uma banda de três melhores amigos. E isso se nota já nas primeiras palavras trocadas. As brincadeiras e os sorrisos são muitos na conversa com os rapazes. Diogo Brochmann, Felipe Kautz e Rodrigo Fischmann se conhecem desde o tempo de colégio e decidiram fazer música da vida.

A Dingo Bells tem dois clipes gravados. Com vinculação nacional, abriu o show de Ringo Starr em Porto Alegre e já tocou até no Japão. No entanto, mesmo com essa trajetória, vivem agora o momento mais importante da banda: o projeto de financiamento coletivo para a produção do primeiro disco, intitulado Maravilhas da Vida Moderna. O disco proposto tem a participação do guitarrista Felipe Zancanaro (Apanhador Só) e do arranjador Fabricio Gamboji, além do projeto gráfico com as fotografias de Rodrigo Marroni, do desenhista Lipe Albuquerque e do artista gráfico Leo Lage.   

Nesta entrevista, o Tabaré conversou com os rapazes para saber um pouco mais deste processo todo.

Por que escolher o financiamento coletivo como maneira de financiar este primeiro disco da banda, e não outros métodos mais tradicionais, vinculados a gravadoras?

Felipe: Um motivo mais cru é que existe, hoje, no Brasil, um processo de desvalorização e de má remuneração dos músicos, que torna o processo muito caro. Então, para uma banda independente, essa é uma boa saída nesse sentido. Mas o principal motivo é a relação com o público. A ideia é fazer com que a Dingo Bells esteja presente na vida delas, que faça parte da vida delas.

Rodrigo: Quando o próprio público é o investidor, é para esse público que tu tem que dar satisfação. E essa é a melhor coisa que pode acontecer para uma banda independente.

Vocês acham que processos como esse podem mudar o mercado fonográfico?

Diogo: A gente pega muitos exemplos de músico e bandas como Vitor Ramil, Raimundos, até mesmo a Laura Palmer (artista estadunidense que bateu recorde histórico em arrecadação coletiva, com mais de 1 milhão de dólares) pra ver como isso muda muito o sentido de relação com o público, como todas essas ferramentas digitais mudam esse tipo de vinculação.

Rodrigo: Não sei se é uma solução para o mercado, porque há anos a indústria fonográfica toma decisões erradas em diversos sentidos. Mas que é uma alternativa excelente, isso a gente tá sentindo na pele.

Como foi o trabalho de vocês a partir da idéia de lançar o projeto de financiamento coletivo?

Felipe: O trabalho teve um processo de maturação de uns 6 meses antes de ser lançado. Foi um processo longo e trabalhoso porque tem de se pensar em porque tu vai pedir (o financiamento), pra quem tu vai pedir, como tu vai pedir, quanto tu vai pedir. Só nesses itens que eu listei têm muitos cálculos e suposições que têm de ser discutidas minuciosamente pra ver possíveis variáveis que possam fazer com que o projeto seja um sucesso quanto fazer com que o projeto afunde.

Diogo: É interessante dizer, também, que parte do custo de toda a produção do disco está como financiamento coletivo. Outra parte a banda já investiu de forma independente. Do montante total do projeto, 60% a banda já cobriu, enquanto que o valor do Catarse são 40%. Então, se o valor ultrapassar esse número, por exemplo, faz sentido a gente cobrir esses outros custos de pré-produção.

Felipe: Inclusive, dentro disso, um ponto que eu acho que é importante salientar é o lance um pouco kamikaze docrowdfunding. Por exemplo, a gente já começou a pré-produção do disco, a investir nisso, então a gente precisa entrar nesse processo do financiamento com o sangue no olho pra que dê mesmo certo. Ou vai ou vai. Isso nos dá um gás pra fomentar e trabalhar no projeto de uma maneira absurda. Acho que isso é importante, de não fazer esse tipo de projeto jogado um pouco nas cordas, no sentido de “ah, se não der certo não tem problema”.

Nesse projeto estão envolvidas outros tipos de arte como a ilustração e a fotografia, isso fica bem definido na proposta de financiamento coletivo. Como vocês enxergam isso relacionado com a parte musical da Dingo Bells?

Felipe: O meu maior interesse cultural é música, mas quando eu vejo um trabalho que envolve algo mais forte visualmente isso engrossa o caldo. Se torna visualmente mais interessante. A gente é uma banda que une a questão visual ao nosso trabalho porque muitas vezes pode ser uma leitura muito mais interessante para o público. Somar artistas ao projeto é o tipo de coisa que engrandece o teu trabalho.

Rodrigo: Eu gosto de ver a parte gráfica como complementar a música, e não simplesmente traduzindo alguma parte da letra ou a própria música. Inclusive, a nossa música ser complementar a tal fotografia ou a tal capa. Para que a arte do disco dialogue com a música e não seja uma representação muito fiel. A Dingo Bells sempre teve uma relação com outros tipo de arte. A gente fez uma série de shows que se chamava Dingo Bells + Arte em que se unia essa questão visual com a música.

Diogo: O interessante é que a gente teve um processo bem intenso de composição desse disco em que a gente trabalhou diariamente compondo no atelier do fotógrafo, Rodrigo Marroni, e o nosso ilustrador também trabalhava lá. Então a própria composição do disco tava bastante amalgamada com a produção da arte. Muitas vezes a arte deles nos influenciava enquanto a nossa arte influenciava eles.        

O projeto de financiamento pode ser acessado por aqui:

http://catarse.me/pt/dingobells

Lembrando, a Dingo Bells toca na festa do Jornal Tabaré no dia 24 de maio. Quem sabe não comemoramos, além do terceiro aniversário deste jornal, a realização do primeiro disco da banda?

Por Jonas Lunardon

Foto: Yamini Benites