Fair Play Esportivo e a dupla Grenal

Os jogadores de futebol, os cartolas e as autoridades do principal esporte do país (o que atrai mais dinheiro e visibilidade da mídia) essa semana deram os primeiros passos para a implementação do Fair Play esportivo no futebol brasileiro. A medida consolidada na Europa, a grosso modo, pretende impedir  que clubes que não honrem os seus compromissos continuem normalmente com as suas funções. O rebaixamento, com a aprovação da medida que ainda vai passar por sanção presidencial e aprovação no congresso, vai ser a punição para clubes que não pagarem os salários dos jogadores. É uma das principais reivindicações do Bom Senso e um avanço motivado pelo movimento.

 O Botafogo há alguns dias demitiu os seus principais jogadores por reclamarem publicamente de mais de seis meses de salários atrasados. Entre esses jogadores dispensados, Sheik e Bolívar são exemplos perfeitos da péssima condição que o clube carioca tem hoje no cenário nacional. De um dos principais provedores de jogadores e um dos principais times do Brasil, hoje é motivo de piadas por torcedores e até comentaristas esportivos.

 O time que nunca ganha, que ‘amarela’, agora dispensou os jogadores que reclamavam de direitos básicos, e que mesmo assim ajudavam os atletas com menor poder financeiro. O Botafogo, em um cenário de dignidade profissional, estaria banido ao menos dos principais torneios pelo atraso absurdo de seus compromissos com funcionários e jogadores , inclusive os que ainda estão no grupo  e dependem do salário para a sobrevivência ao contrário de Bolívar, Sheik e dos outros dispensados.

 Resta a esperança que de fato o Bom Senso possa conseguir esta façanha já para o ano que vem. E que muito mais venha depois disso, talvez com os calendários mais distribuído entre os pequenos e grandes clubes como uma medida que deixe um pouco mais digno este futebol das extremidades, onde poucos ganham muitos ( e nem sempre jogadores) e muitos ganham pouco.

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Os resultados do fim de semana deixaram a dupla Grenal mais longe de suas disputas.

A derrota do Grêmio para o São Paulo em casa deixou o tricolor atrás na disputa pela vaga na libertadores. Não só na tabela. A equipe do Grêmio ficou atrás de melhores times. O São Paulo, principalmente com Muricy recuperado, é mais time que o grêmio. O quarteto final esbanja qualidade, ainda que pouca confiabilidade e regularidade, Souza liberado pelo Grêmio, Álvaro Pereira, Michel Bastos são alguns dos jogadores que demonstram o bom grupo de jogadores. O Atlético Mineiro e o Corinthians, e até o Fluminense são outros adversários duros para um time que vai precisar muito empenho e mais qualidade do que apresentou até agora (exceto talvez na primeira fase da Libertadores). Os problemas do Grêmio quase todo ano são agravados por reforços que chegam ao longo da temporada, fazendo com que a cada semestre, pelo menos, o time seja remontado.

Já o Inter, ficou muito longe do título, e não são só os nove pontos que o distanciam do Cruzeiro. A falta de um padrão quando perde jogadores, como Sasha na última partida, demonstram que o campeonato do Inter não deverá ser contra o Cruzeiro, cada vez mais líder. A qualidade do Cruzeiro impressiona não só pelos jogadores mas pelo padrão que os reservas apresentam no time. De fato, tem poucos grandes jogadores (Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart) mas a maioria do grupo tem um nível bastante bom, como na zaga com Manoel, Dedé e Léo. No ataque tem vários jogadores como William, Borges, Dagoberto e Júlio Baptista que constantemente sobram no time. Ao Inter resta, além do tão falado centroavante, buscar um grupo mais homogêneo, pois raramente um time com 11 bons jogadores chega a um título nos pontos corridos.

 

Por Chico Guazzelli